O Baile
O Baile
A música suave soa natural ao ambiente, como se cantada pelo vento que invade através das janelas, envolvendo os dançarinos no salão.
Mascarados sem identidade, suas faces, seus corpos não importa. Somente o sangue é marcante, correndo e dando forma a algo que se é impossível tocar.
A dança continua, passos sincronizados, acompanhando a melodia. Braços para cima, palmas. Esquerda, direita, mútua reverência.
Por trás das máscaras, pensamentos voam e mentes sonham. Anseios profundos, silenciosamente guardados e jamais revelados.
A música continua, o sangue segue seu caminho, uma dança sem fim.
Mãos juntas, um breve abraço. Olhar retribuído, desejo incontido. Lábios próximos, um beijo não dado. Passos incessantes, dançarinos incansáveis.
A noite segue, o vento ainda canta. Uma história sem início ou término. Uma canção, um passo, de novo e de novo. O baile não terminará até que os corações voltem a se encontrar.
Através do Espelho
Através do Espelho
O corpo se inclina para a direita, a face maquiada sendo refletida no espelho. Nas mãos, cobertas por luvas negras, uma rosa vermelha. O braço é esticado, a flor oferecida ao reflexo. Presente negado, jogado ao chão, despedaçado. As pétalas se espalham pela madeira, criando raízes e crescendo, tomando conta do quarto vazio.
O corpo se ajoelha e pega as pétalas ignoradas, voltando a oferecê-las ao reflexo. As mãos se abrem e o vermelho volta ao solo. O pescoço levemente inclinado, olhos nublados, um pintura sobre a bochecha. Uma lágrima azul.
Na parede do fundo, as raízes se unem, misturando-se para que uma grande rosa vermelha possa nascer e desabrochar, bela e elegante. Passos para trás, as pétalas logo tocam o pescoço, os braços, a cintura, envolvem as pernas, puxando o corpo para seu abraço.
Olhos sem cor definida, uma e um milhão, marcados pelas sombras das lágrimas. Olhar vazio que insiste em observar o reflexo no espelho. Os lábios se separam. O que dizer? O que pedir?
A rosa começa a se fechar, transformando-se em um grande e macio caixão. Não há mais espelho ou reflexo, somente o toque macio das pétalas de sangue, cujo perfume corre livremente, hipnotizando a mente. A rosa termina de se fechar, assumindo a forma de um coração.
No espelho, o reflexo observa. A rosa parece respirar, como um coração que bombeia o sangue pelo corpo, guardando a verdade por trás da imagem.
Ao ver a si mesmo em um espelho, você pode ver seu coração protegendo sua alma?